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Porque os processos de adoção são demorados?

Sempre que se fala em adoção, este é um fator que aparece, seja pelos pretendentes que desejam que seus filhos cheguem rapidamente, seja pelos que os ouvem dizer da demora, seja pelos atores que trabalham nos processos, os quais nem sempre possuem condições e/ou vocação para atender ao princípio da celeridade nestes casos, mas quase ninguém pensa no tempo da criança e do adolescente que, privado da convivência familiar, permanece com sua vida, seu desenvolvimento estagnado, aguardando uma decisão dentro de uma instituição, ainda que a mesma se esforce para prestar um bom serviço.

O melhor lugar para uma criança e adolescente, sempre será uma família!

Para nós, o bem estar da criança e adolescente é o ponto prioritário e todas as nossas intervenções junto aos órgãos responsáveis pelas políticas de atendimento, em nível municipal, estadual ou federal é para que as mudanças legislativas tenham como foco estes sujeitos, assim como pela qualidade e especificidade do trabalho que eles requerem e necessitam.

Outro ponto a esclarecer é que os motivos que levaram aquela criança ou adolescente ao acolhimento são inerentes ao seu grupo familiar e não nelas especificamente. Assim, a criança que recebe a medida protetiva de acolhimento receberá também atendimentos e cuidados das equipes dos serviços de acolhimento e da rede, mas nem sempre, sua família também é rapidamente inserida nos atendimentos necessários para que o motivo da retira do seu filho seja revertido e eles possam retornar para casa.

A crise da infância é, antes de tudo, uma crise de famílias. Nesse sentido, é importantíssimo que a Igreja se conscientize de que somada às ações adotivas, é importante em paralelo o cuidado preventivo em famílias em vulnerabilidade. É preciso olhar o cenário em todas as suas dimensões. Alguns serão chamados à adoção, outros a fortalecimento de famílias e outros em acolhimento familiar, apadrinhamento afetivo, aconselhamento de casais, etc.

Assim, se as políticas públicas de atendimento da saúde (física e mental), habitação, assistência social não funcionarem, não atenderem imediatamente esta família, o cenário não se modificará e a criança e adolescente permanecerão acolhidas. Também é importante dizer que o processo é feito de um protocolo, passo a passo, os quais não podem ser ignorados para a garantia do processo legal.

Então, porque existe tanta demora nos processos de adoção?

Por pelo menos 2 motivos básicos: 1) existe um processo legal que segue o ritmo da justiça brasileira e 2) existem critérios em torno do perfil da criança (idade, cor, característica geral de saúde, se tem irmãos ou não) que, quanto mais rígidos/específicos por parte da família postulante, mais complexidade é posto no caso e mais dificilmente o sistema encontrará criança (ou adolescente) nessas condições.

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